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Falsos técnicos de TI usam Microsoft Teams para aplicar golpes

Campanha ativa desde janeiro combina chamada por voz e ferramentas nativas do Windows para roubar dados e vender acesso a gangues de ransomware.

02 de agosto de 20263 min de leituraRever Tecnologia

Uma campanha ativa desde janeiro deste ano utiliza chamadas falsas via Microsoft Teams para convencer funcionários a conceder acesso remoto a cibercriminosos. Pesquisadores da Zscaler ThreatLabz identificaram que os invasores utilizam uma família de backdoors chamada GoGRPC para roubar dados e vender informações para grupos de ransomware.

Através de um extenso relatório, a firma de cibersegurança explica que a ofensiva é iniciada com uma técnica chamada de spam bombing. Esse é o termo técnico usado para descrever uma inundação repentina e massiva de e-mails indesejados na caixa de entrada da vítima. Isso deixa o trabalho do funcionário basicamente paralisado.

Com a frustração de não conseguir executar suas tarefas, uma chamada no Microsoft Teams começa a tocar. Ao atender o chamado, o usuário começa a conversar com alguém aparentemente confiável, com tom de voz calmo, e que se apresenta como parte da equipe de TI da empresa.

Esse agente oferece uma solução rápida: abrir o recurso de Quick Assist do Windows destinado para suporte remoto. Assim que o usuário permite o acesso para essa pessoa, os criminosos ganham um caminho direto para o computador da vítima, sem precisar distribuir um malware ou recorrer a ataques de phishing.

O principal perigo desse golpe é que ele utiliza a engenharia social para convencer a vítima a abrir o Quick Assist e todo o processo vem de ferramentas autênticas do Windows e da Microsoft. Ao ter o controle dos computadores, os criminosos vendem esses dados para quadrilhas de ransomware realizarem ataques.

Ladrões profissionais

A Zscaler ThreatLabz classifica esses criminosos como Initial Access Brokers, ou Corretores de Acesso Inicial, em tradução livre. É como se esses agentes fossem especialistas em destrancar portas de lojas para que os verdadeiros ladrões entrem e roubem todos os itens rapidamente.

Ao obter acesso do sistema via Quick Assist, os atores mal-intencionados abrem o PowerShell e inserem scripts ocultos que baixam o protagonista desta campanha: o malware GoGRPC. Esse é um vírus escrito na linguagem Go e que funciona como um backdoor, ou seja, uma brecha oculta no sistema.

O interessante desse malware é que ele se comunica com os criminosos ao utilizar o protocolo gRPC. Essa é uma tecnologia criada pelo Google para conectar serviços modernos de internet. Por ser um recurso legítimo, os hackers utilizam o serviço para se camuflar na rede e burlam os sistemas de detecção.

Desde janeiro de 2026, os pesquisadores já identificaram quatro grandes evoluções do GoGRPC:

  • Lep (Janeiro): A primeira versão, com foco em identificar a máquina e garantir persistência;

  • Giver (Fevereiro): Adicionou capacidade de operar sem limites de tempo;

  • Pet (Abril): Um salto em furtividade, introduzindo técnicas de ofuscação e criptografia TLS para esconder a comunicação;

  • Kind (Junho): A versão mais recente e perigosa, que ofusca até mesmo a estrutura de comunicação do gRPC, focando em ambientes corporativos pesados.

Além do GoGRPC, os hackers começaram a distribuir outras ferramentas para criar túneis invisíveis na rede corporativa da vítima. Os especialistas encontraram proxies reversos, chamados de RevSocket (escrito em Go), PyGRCP (Python) e o RSOX (Rust), encontrado recentemente. Esses proxies funcionam como uma “ponte” para atacar camadas mais profundas dos servidores da empresa.

Fonte: TecMundo

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