A Anatel deu um novo passo na luta contra ligações fraudulentas: ontem (16), a agência expediu seis despachos com medidas destinadas ao rastreio e bloqueio de empresas que originaram chamadas com identificador falsificado, mais conhecido pelo termo em inglês spoofing.
Somente uma das empresas fiscalizadas originou um total de 2,6 milhões de ligações assim, segundo a agência reguladora.
O que é spoofing?
Spoofing no contexto da telefonia é a prática de alterar o número que é exibido no identificador de chamadas, divergindo do número real da linha que originou a chamada.
O termo normalmente é utilizado quando tal alteração é feita com fins maliciosos e fraudulentos, já que há alguns usos legítimos para tal alteração, como em caso de empresas com diversos ramais, onde geralmente o identificador de chamadas será apresentado com o número da linha principal.
A prática é possível por que os protocolos e sistemas (especialmente o SS7) utilizados para chamadas de voz são antigos e foram desenvolvidos em uma era em que esse tipo de problema não foi imaginado, além de haverem muito menos empresas de telecom (no geral, monopólios e estatais), com mais confiança entre si.
É algo que o Origem Verificada pretende resolver, utilizando os protocolos STIR/SHAKEN para validar os dados de identificador de chamadas.
As medidas da Anatel
Na série de despachos, a agência determinou que duas empresas sejam impedidas de originar chamadas, além da produção de relatórios com dados completos sobre chamadas que a agência identificou como spoofing, como dados cadastrais e rotas.
As duas empresas que tiveram suas chamadas barradas são a ELO Contact Center Serviços S.A. e a Voros Telecomunicações S/A. Segundo a agência, um total de 1.758.179 chamadas com identificador falsificado foram encaminhadas pela Elo por meio da rede da TIM e um total de 2.600.527 chamadas fraudulentas foram encaminhadas pela Voros através das redes da Algar, Surf, Datora e Foco Telecom.
O bloqueio direcionado à Elo tem validade de um mês e o bloqueio direcionado à Voros não tem prazo final, já que a empresa estava atuando clandestinamente no setor de telefonia, de acordo com a agência. A Elo atuava na “venda de produtos e serviços da TIM”.
Em outra frente, a agência determinou a produção de relatórios sobre 199 milhões de chamadas encaminhadas por TIM, Surf Telecom, Algar e Itelco. No caso específico da operadora italiana, são ligações vindas do exterior para o Brasil, provenientes da americana US Matrix. O objetivo da agência é identificar o real originador destas chamadas para posteriores providências, como mais pedidos de bloqueios.
OperadoraChamadas spoofing encaminhadasUS Matrix via TIM33.226.903Algar93.327.768Itelco33.076.231Surf39.928.700
Total199.559.602
Os números reais devem ser ainda maiores, já que a agência produziu os números a partir de amostras de uma hora por semana e apenas em rotas com 90% ou mais de chamadas com spoofing. A Anatel prevê que “o cenário efetivo pode ser substancialmente mais grave que aquele retratado pelos achados fiscalizatórios já consolidados”.

Quantidade de chamadas com spoofing encaminhadas pela Surf fiscalizadas pela Anatel (imagem: reprodução)
O caso da US Matrix é peculiar, já que a empresa exibe números de celulares brasileiros quando encaminha as chamadas do exterior para a rede da TIM.
É importante reforçar que isso não quer dizer que os recebedores destas chamadas sejam necessariamente clientes destas empresas, já que elas podem estar apenas executando interconexão, o que, na prática, permite o tráfego destas chamadas para outras empresas.
Fonte: Tecnoblog




