Uma senha divulgada fora das regras bastou para expor um dos maiores sistemas de videomonitoramento do país. Em 20 de outubro, o UOL revelou que dados de acesso ao Smart Sampa, o programa de câmeras da Prefeitura de São Paulo, estavam havia cerca de 11 meses em um repositório público na internet, com 181 combinações de login e senha. Com eles, era possível acompanhar ao vivo parte das mais de 58 mil câmeras do programa.
A Prefeitura confirmou o vazamento, mas negou falha nos mecanismos de segurança: segundo a gestão, um servidor que já tinha autorização de acesso divulgou os dados indevidamente. Ele foi afastado e é investigado pela Corregedoria da Guarda Civil Metropolitana. Na terça-feira (27), a administração anunciou que os servidores autorizados passam a usar reconhecimento facial para entrar na plataforma, além da autenticação em dois fatores adotada depois do caso. O Ministério Público de São Paulo abriu uma notícia de fato, e a Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD) pediu esclarecimentos.
Por que o caso interessa à sua empresa
O vazamento não exigiu um ataque sofisticado. Bastou que credenciais válidas saíssem do lugar onde deveriam estar. Nas empresas, o roteiro costuma ser parecido: a senha do sistema anotada numa planilha compartilhada, o login do setor usado pela equipe inteira, o acesso de um ex-funcionário que ninguém desativou. Quando uma dessas senhas vaza, quem a encontra entra pela porta da frente, e os sistemas registram o acesso como legítimo.
Seis medidas que evitam o mesmo problema
Um usuário por pessoa. Logins compartilhados impedem saber quem fez o quê e não permitem cortar o acesso de uma só pessoa. Cada colaborador precisa da própria conta, inclusive nos sistemas de fornecedores.
Autenticação em dois fatores em tudo o que é crítico. E-mail, Microsoft 365, Google Workspace, VPN, acesso remoto, ERP e banco. Prefira um aplicativo autenticador ou uma chave de segurança ao SMS. Com o segundo fator, uma senha vazada sozinha não abre a conta.
Senhas fora de planilhas, e-mails e repositórios. Um gerenciador de senhas corporativo guarda as credenciais criptografadas e permite compartilhar um acesso sem revelar a senha. Código e arquivos de configuração não devem levar senhas, e repositórios precisam ser privados por padrão.
Acesso mínimo e revisão periódica. Cada pessoa deve ter só os acessos de que precisa para trabalhar. Revise as permissões a cada trimestre e desative a conta de quem sai da empresa no dia do desligamento.
Registros e alertas de acesso. Logs de login e alertas para entradas de lugares ou horários incomuns mostram um acesso indevido em horas, e não em meses.
Um plano para quando algo vazar. Troque as senhas, encerre as sessões abertas e avalie quais dados ficaram expostos. Se houver dados pessoais e risco relevante para os titulares, a LGPD exige comunicar a ANPD e as pessoas afetadas, e o regulamento da ANPD dá três dias úteis para essa comunicação.
Biometria não é o único caminho
A Prefeitura escolheu o reconhecimento facial, mas a lógica vale para qualquer empresa: o acesso não pode depender de um único segredo, que pode ser copiado e repassado. Para a maioria das empresas, um aplicativo autenticador no celular já resolve. Microsoft 365 e Google Workspace trazem a verificação em duas etapas nos planos comuns; falta, muitas vezes, só ativar e exigir.
A Rever implanta autenticação em dois fatores, gerenciador de senhas e revisão de acessos no Microsoft 365, no Google Workspace e nos sistemas da sua empresa, com base em políticas de segurança e LGPD.
Para saber como estão os acessos da sua empresa, fale com a nossa equipe.


